The Wild Rose
Anelle sente que sua solidão está intimamente ligada á sua falta do que fazer. Sem trabalho é sem muitas perspectivas de vida.
Só resta a ela amigos, que por muitas vezes a deixam esquecer do vazio de sua vida. A ela falta um homem, para que possa escutar seus sonhos e porque não as suas bobagens...
Engraçado como ela se pega pensando no porque das coisas... a vida não tem uma razão de ser. Ela apenas sente que um trabalho mudaria sua vida.
Ao cair da tarde, Anelle percebe como a cidade é cinza, será que teria ela uma guinada em sua patética vida?
Ela por quase murmura e diz: Quando... - enquanto percorre a mão por seu corpo acabado de sexo. Sexo que ela tivera com homens e mulheres, que não se recorda de nomes, apenas do sexo em si, em sua plenitude. Talvez essa seja sua razão de ser só, o usufruto das pessoas. Usando-as para não ser usada, assim ela acha que se livrará de problemas futuros. O tédio penetra em suas veias de tal modo, que ela duvida se é sangue que corre nas mesmas...
Certo dia, num passeio pelo parque, ela percebe o olhar intrigante de um jovem, de óculos e vestido de preto, que mais parecia um daqueles escritores beatnicks. Ela pensa no porque ele estava a olhá-la e se intriga pelo fato de que ele vem em sua direção. O primeiro pensamento que lhe ocorre é se sua calcinha combina com seu sutiã...
O seu pensamento de dissipa quando ele apenas a pergunta onde fica o planetário. Já era noite e um fog invadia a cidade. Ao se distanciar ela apenas pensa como teria sido o sexo com ele, suas mãos ávidas e grosseiras percorrendo sua pele branca, apesar de magro ele tinha um certo porte. Ele some no meio da neblina, como se fizesse parte dela. Mas tudo parece não ter importância, seria mais um sexo, com mais um rosto sem nome.
A noite cai como se caísse junto a ela uma névoa que permeia sua mente, toma conta dela. Seus supostos amigos chegam, o que será que os estúpidos querem novamente? Ao abrir a porta dá de cara com o mesmo homem do parque, flashes vívidos vem à sua mente e a invadem de tal forma , que quase por um segundo ela se sente ... viva.
Feita as devidas apresentações, e sem maiores delongas começam a beber um vinho de quinta e se embriagam ... Lucas (esse era seu nome) , André, Sandra, Paola, Laís e a própria Anelle parecem ser um só, ao som de uma música deliciosamente diabólica eles se entregam á ode dionisíaca e os corpos parecem se tornar uma massa uniforme.
A parte ela chama Lucas e pergunta como a achou? - Segui sua tristeza - disse ele em tom mórbido.
Um arrepio toma conta dela e mais uma vez sente a vida invadindo-a como uma inexplicável força. Nesse momento André começa a dançar e a se roçar nela, Anelle sem graça tenta se desvencilhar, mas para sua surpresa Lucas apenas lhe sussurra em seu ouvido, desta vez com uma voz serena, que é para deixar os acontecimentos seguirem seu curso. Ela sem saber que posição tomar deixa-se levar, neste momento Lucas se une à dupla, beijando-a e tocando-a. Neste momento seu corpo é um turbilhão de emoções, sendo tocado por dois homens concomitante e ela quer mais, e os outros desaparecem á sua volta, será mágica ou o efeito da bebida refletindo em seu corpo. Beija a boca de um, afaga o membro enrijecido do outro e os três se beijam, e suas línguas se cruzam e se tocam, e mãos, mais mãos, outras mãos, tudo ao mesmo tempo, sem espaço para pensar. Por hora acaba como uma chuva de verão, é hora de ir para um club, desses com pouca iluminação mas muita bebida.
Todos se apertam em um único carro e começan novamente as mãos, mas desta vez não é possível saber de quem são ... Chegando lá, uma música ensurdecedora toma conta do ambiente. Vão direto para uma sala de fumo, para surpresa o ópio é a força motriz do ambiente. Sentam-se juntos, exceto Lucas, Anelle e André que vão para a sala especial. Lá eles se deitam em almofadas de cetim e relaxam com um incenso de lavanda.
Uma menina de traços orientais e com um dragão tatuado que vai de seu peito até o braço pergunta aos três: - Vocês estão no clima para fazer o que? - Como? - Perguntou Anelle - Esqueçam... gostariam de beber algo? De repente Lucas fala em uma língua, com certeza oriental e dispensa a mocinha. Sem entender nada, mas adorando tudo, André e Anelle trocam idéias absurdas típicas de pessoas alteradas pela bebida. Uns minutos depois, a mocinha que há pouco tinha saído volta com um objeto desconhecido. O que será aquilo que ela trazia consigo- se indagava Anelle nesta altura já imaginando o que iria acontecer. O clima da sala é sombrio, não se pode nem mesmo ver quem está ao seu lado, apenas vultos disformes. Lucas começa a fumar, Anelle que apesar dos pesares não estava acostumada a usar drogas, quer dizer, pelo menos não pesadas, fica excitada... Lucas que parecia estar á vontade em meio àquilo tudo, tira sua camisa e fica com o peito nu, embora não faça calor não faz muito sentido a sua atitude. Fumando ópio, ele começa a declamar Beaudelaire, Anelle e André nada entendem, frutos de uma geração em que a cultura pop prevalece, eles desconhecem o autor. Em um gesto com a mão Lucas chama a mocinha oriental, Liu, e ela se deita com a maior naturalidade ao lado dele, parece que se conhecem há um tempo, mas existe um misto de medo e sedução. Eles estão a fumar, Anelle e André meio que receosos, se entregam a luxúria do ambiente e mais uma vez a sexo paira no ar ... Anelle estava de vestido, botas e meias francesas, realçavam sua tez branca e lânguida. Era a primeira vez que André a olhava nos olhos e admirava seu corpo; ela tinha os cabelos curtos e avermelhados, tipo chanel, seus olhos castanhos esverdeados delineavam sua boca em forma de coração de um sangue vívido.
O prazer e a felicidade andavam juntas? Pensava ela. Nesta hora ela era feliz, mas talvez seria uma falsa felicidade. Mas o prazer sim, ele estava sempre presente sempre em sua vida... Ao colocar a mão no meio de suas pernas podia-se ouvir um gemido bem baixo, ao seu lado Liu era praticamente asfixiada pelo inebriante Lucas, nada ela podia ver, mas parecia que eles estavam se divertindo muito e isso a incomodou, afinal de contas ela estava na mesma situação e nem deveria estar se preocupando com eles. Neste momento ela se afastou de André.,. foi ao banheiro, deixando-o pasmado e sem ação. Se olhou no espelho e se perguntou mais um vez o porquê das coisas... logo Lucas, um rapaz que ela nem sabia quem era direito. Ao seu lado duas meninas conversam sobre possíveis homens que elas encontrariam naquela noite, elas não estavam na sala que Anelle estava, mas isso não era importante. Aquilo era um sentimento completamente novo para ela, ao voltar para a sala e decidida a falar algumas verdades para Lucas, se surpreende ao não vê-lo lá, nem ele nem Liu. Sumiram... uma dor na barriga neste momento, sentiu-se traída. O que ela esperava de um cara que ela nem conhecia direito.
Quis ir embora, André parecia muito empolgado, mas ela não deu atenção. - Onde eles estão? - Por um minuto estavam aqui, mas ao olhar de novo não mais - disse André ainda interessado em continuar o que estavam fazendo. Pobre André, nem sabe que Anelle se desinteressou por ele, agora mesmo tentava com todo custo chamar sua atenção, mas sem sucesso. - Foi-se com a neblina novamente, pensava Anelle. Não conseguia mais raciocinar, voltou a si e desapareceu também sem deixar pistas, deixando o pobre André á deriva. Na volta para casa, que percorreu o caminho andando, se indagava mais uma vez porque nada em sua vida dava certo... seria ela ou os outros. O inferno sempre são os outros, pensava ela enquanto passavam bêbados e prostitutas perambulando pelas ruas.
De repente parou de pensar nele, tornou o ato de andar mecânico e chegou em casa mais rápido do que pensava.
Sua casa estava uma bagunça, mas realmente não se importou com isso, deitou-se e olhando para o teto começou a pensar em Lucas novamente, que nome mais bíblico ele tem. Sentiu uma presença em seu quarto, era ele... mas como? Ela morava no quinto andar e ele estava na janela, que estranho para não dizer pavoroso, ele adentrou em seu quarto de modo furtivo e mais que depressa rasgou seu vestido, deixando apenas a mostra suas meias e calcinha, aquilo a deixou estarrecida, perturbada, excitada e feliz. Não sabia como ele entrou, mas só pelo fato dele estar presente ela se contentava em não saber das respostas. Ele ficou por cima dela , tirou sua calcinha e assim quando estava preparando para penetrá-la, ela viu que aquilo não passava de um sonho, acordou suada e úmida. Entre suas pernas corria a seiva que denotava prazer... mais uma noite sozinha. Virou e dormiu de vez.
Acordou com uma dor de cabeça que parecia não ter fim, preparou um chá para pelo menos amainá-la. Ao olhar pela janela podia ver o parque em que o conhecera e sua vista foi longe assim como seus pensamentos. Resolveu ligar para Paola, e perguntá-la onde eles tinham conhecido Lucas.
- Alô, respondeu Paola com voz sonolenta. - Queria te perguntar uma coisa...
- Você me parece intrigada ...
- De onde vocês conhecem Lucas?
- De quem você está falando?
- Do rapaz de preto que acompanhava vocês ontem.
- Disse que conhecia você e subiu conosco.
- Mesmo? Beijo e ciao.
Faltou chão para ela, um estranho em minha casa e se passando por meu amigo, quem ele era e de onde vinha? A agonia tomava conta dela, e mais essa agora. Começava a chover, Anelle adorava esse tempo chuvoso em que o sol não aparecia, ao mesmo tempo em que também adorava situações complicadas e estava em meio de uma, que ao seu ver parecia uma imensa tempestade se aproximando. A tarde passou arrastada, mas a chuva não parava mais... a cidade nunca pareceu tão cinza mas tão bela como estava. A noite caiu como uma luva, e o interfone tocou, quem seria uma horas dessas:
- Dona Anelle, tem um rapaz chamado Lucas que quer falar com a senhora.
- Pode deixar ele subir.
Foi se arrumar rapidamente, não estava nem um pouco apresentável, descalça e com um vestido, desses meio diáfanos, os quais na luz dá para ver o contorno do corpo. Passou a mão no cabelo sedoso ainda de ontem e se olhou no espelho rapidamente antes de abrir a porta para ele. Momentos de ansiedade. Olha pelo olho mágico e tenta vê-lo, mas tem algo vermelho impossibilitando-a, ele abre a porta e uma rosa vermelha está na mão dele. Ele parado na porta, sempre de preto, e com a rosa vermelha, que era da cor de seus lábios. Ele aguarda e espera que ela o convide para entrar. Além de tudo quer me conquistar, pensou enquanto ele entrava. Que estranho, ele só aparece a noite e usa do manto da mesma para se vestir. Deve ser mesmo ao menos ser uma pessoa interessante. Ele parou e sentou-se numa cadeira envelhecida e olhou-a como se nesse momento pudesse despi-la de todos os seus pecados e ela sentiu-se livre como nunca estivera antes. Sentou-se próxima a ele, podia sentir sua respiração, seu calor se é que ele tinha algum. Sua palidez e frieza a atraiam de tal maneira como se fossem objetos antagônicos, pareciam tão iguais, tão distantes. Nada foi dito durante a meia hora em que eles ficaram juntos.
O silêncio falou mais alto, ele apenas puxou pela mão e levou-a para o quarto, ela apenas consentiu com a cabeça. Ela tremia, mas em seus braços se acalentou de tal forma que parecia uma criança precisando de proteção. E ele supriu essa sua necessidade. Nesse momento o homem terno foi embora, pego-a no colo e a pôs na cama, certa de que seria um sexo deveras calmo, ela se enganou mais uma vez com ele, de dentro de seu sobretudo tirou uma algema. Prendeu-a na cama e depois um estilete surgiu e um medo também... ele passou pelo seu vestido que se rasgou com a maior facilidade, e passou aquela lâmina fria pelo seu corpo vivo e cortou sua calcinha também. Nua em pêlo pode ver seu semblante louco e aquilo a excitou mais. Ele mal falava e exprimia emoções, talvez aquilo a tenha encantado, já que todo homem a tratava bem demais. Mais uma surpresa, outra rosa. Aquilo a intrigou, mais intrigante foi quando ele disse que a amava. Dessa vez quem permaneceu muda foi ela, não esperava isso dele, já que só se encontraram umas duas vezes. E fez sexo com ela, pegou-a de jeito e pode ver seu corpo, e só ele enxergou as cicatrizes da batalha que ela outrora travara, só ele a entedia em seu âmago.
Sexo com ele era quente, ele sabia exatamente o que ela queria. Suas mãos eram exatamente como ela havia imaginado. Ela sem poder conter seu desejo entregou-se de corpo e alma. Ele a essa altura tinha se livrado das roupas que o cobria, e a pele em contato com a dela, a fricção, o tesão, o suor. Apesar de ter tido todos os tipos de sexo, com ele era tântrico, talvez transcendental, inexplicável em palavras. Nem ela mesma entendia.
Dormiu um sono de criança, leve e livre de preocupações, ao virar para o lado ela já não estava mais presente e acordou com um gosto amargo na boca, seria fel? Mas qual seria o motivo de que sempre ele desaparecia subitamente.
Era domingo, dia de visitar seus ricos pais, Sr Heitor. e Sra. Veronica Egoyan. Pegou um táxi e olhando pela janela podia ver as pessoas, trabalhando ou mesmo namorando, coisas cotidianas como essa enchiam sua vida, era como elixir e mais uma vez pensou nele, percebeu o vento frio do outono e as folhas amarelas e vermelhas no chão contrapunham com o cinza e a chuva do momento. O taxista falava alguma coisa, mas parecia para ela inaudível... seu pensamento foi longe, acho melhor esquecê-lo, mas não conseguia, era mais forte do que ela.
Finalmente chegou à casa, uma mansão vitoriana fora da cidade. Quando ia colocando a mão na maçaneta da porta, ela se abriu e deu de cara com Lucas. Surpresa e sem palavras, riu por dentro e disse:
- O que fazes por aqui?
Ele apenas pegou seu casaco de tweed, levemente molhado pela fina chuva que caía, e sua mala e nada falou. Ela cada vez mais estarrecida procurava pela sala os seus pais, a procura finalmente cessou, quando percebeu que os mesmo estavam na salinha tomando um brandy. Mal podia conter sua alegria, mas precisava disfarçá-la afinal de conta seus pais centenários estavam presentes, quase riu em voz alta. Ficou horas impaciente olhando o relógio, parecia que não passavam, com sua mãe conversou amenidades, depois começou a ter uma conversa igualmente formal com seu pai, mas nunca com ele, na verdade o ignorou e mais uma vez ele tinha aparecido do nada.
Finalmente seus pais se retiraram, mas parecia que também ele ia, e ela se atordoou, esperou tanto por aquele momento, para poder falar com ele, para poder tocá-lo, e apenas ele se foi...
A cama parecia uma prisão, braços a prendiam e seus pensamentos vagavam, adoraria estar ao seu lado. Olha pela janela e percebe que chove mais uma vez, as chuvas e a escuridão são o seu manto, mórbido, pensa ela. Através da janela pode-se ver o jardim e sem maiores explicações uma força parece atraí-la para lá.
Caminha descalça pelos corredores vazios e frios da casa, um vento gelado vai ao encontro do seu corpo e arrepia-se neste momento, parecia que a porta estava aberta, medo, seu coração dispara e sua boca fica seca Mas continua caminhando e ao chegar lá, dá de cara com ele impávido e sentado e com seu membro enrijecido, trajava somente a calça-pijama... o primeiro contato com a chuva deixa sua camisola completamente molhada e transparente, molda seu corpo deixando a silhueta a mostra. Mais uma vez palavras não são pronunciadas e o ato sexual é selvagem como o de animais no cio, senta-a no banco e separando suas coxas a invade com toda sua pretensão e amor, um amor estranho que devora sua alma e consome suas forças... quase perde os sentidos deixa-se levar pela loucura do momento e o semblante de seu amado é sereno. Em sua cabeça passam diversos pensamentos e se sente como uma libertina de satã, entregue ao vício do sexo e depois disso chega ao sublime orgasmo.
Amanheceu, acorda toda doída e passa-lhe por sua cabeça onde estará;- Que estranho, pensa, olha á sua volta reconhecendo o lugar como sendo seu quarto, suada e sem uma noção de tempo, sua mãe lhe fala que acabara de ter um febre daqueles, provavelmente proveniente da chuva que tomara naquela noite ... Mas para sua surpresa a Sra.Veronica comenta que há mais de um mês que ela não aparecia em casa e estava naquele estado há uma semana. Esses malditos devaneios febris pareciam verdadeiros. Estranho, tudo que provêm dele é assim, estava prostrada na cama, teria ele a drogado e se aproveitado dela? Até que ela gostaria...
-Fica boa logo, mas não queria sarar, preferia adoecer e morrer de vez e só então acabaria com esse eterno tédio que está incrustado em sua alma. Uma antiga colega da faculdade liga, mas Anelle deixa a secretária atender, está aborrecida demais para aturar os outros. Um arrepio percorre seu corpo fazendo seus mamilos endurecerem, a ela leva sua mão até eles e começa a sonhar e imaginar que aquela mão pertencia a Lucas, fica molhada mas volta logo á realidade e finalmente ouve o recado que diz que sua amiga está a espera na rodoviária. Corre e se arruma rapidamente, com seu visual propositadamente desleixado e vai-se num ônibus em busca da amiga.
Anoitece de forma assustadora. Ela continuava com aquele mesmo semblante de anos atrás, na verdade o tempo só lhe fez bem. Abraçaram-se e Anelle se sentiu segura, era um tipo de segurança que não conseguia ter com Lucas, mas estavam sob diferentes perspectivas. Com ele tudo aparentava uma sordidez, mas era do tipo que a atraia. Voltou a prestar atenção no que a amiga dizia, e de fato não era importante. E foram embora em direção à casa de Anelle.
Ao chegar em sua casa percebeu que a porta estava aberta, um frio lhe percorreu a espinha quando viu a mão de alguém na poltrona da sala. Parecia uma presa paralisada, mas tomou coragem e caminhou até a mesma, a medida que ia chegando só podia perceber a penumbra que pairava na sala, o silêncio era mórbido e a atmosfera ao redor parecia morta. Só faltava menos de um passo para poder ver quem estava sentado na cadeira, mas ainda assim seus olhos pareciam nebulosos. Tocou a mão e ela estava muito fria, e então percebeu que a mão pertencia a Lucas e que trazia uma rosa negra.
Estava assustada, mas ele a segurou de forma que jamais tivera feito, entregou a rosa e mais uma vez o perdeu para as sombras. Enquanto isso Lúcia, que ficara estática na porta, nada entendia foi ao encontro de sua amiga. Anelle chorava e soluçava sem parar, e caiu no chão e se entregou ao choro da mesma forma que havia se entregado a Lucas, ao seu lado; a rosa e um bilhete:
Cara Anelle, Esta flor simboliza o que sinto por você, sinto muito, mas, tenho que partir.
Com amor,
Lucas.
E Anelle morreu de vez, por dentro, muito pior do que se tivesse morta de verdade. E pode perceber o quão ínfima era a sua patética e mísera vida.
Só resta a ela amigos, que por muitas vezes a deixam esquecer do vazio de sua vida. A ela falta um homem, para que possa escutar seus sonhos e porque não as suas bobagens...
Engraçado como ela se pega pensando no porque das coisas... a vida não tem uma razão de ser. Ela apenas sente que um trabalho mudaria sua vida.
Ao cair da tarde, Anelle percebe como a cidade é cinza, será que teria ela uma guinada em sua patética vida?
Ela por quase murmura e diz: Quando... - enquanto percorre a mão por seu corpo acabado de sexo. Sexo que ela tivera com homens e mulheres, que não se recorda de nomes, apenas do sexo em si, em sua plenitude. Talvez essa seja sua razão de ser só, o usufruto das pessoas. Usando-as para não ser usada, assim ela acha que se livrará de problemas futuros. O tédio penetra em suas veias de tal modo, que ela duvida se é sangue que corre nas mesmas...
Certo dia, num passeio pelo parque, ela percebe o olhar intrigante de um jovem, de óculos e vestido de preto, que mais parecia um daqueles escritores beatnicks. Ela pensa no porque ele estava a olhá-la e se intriga pelo fato de que ele vem em sua direção. O primeiro pensamento que lhe ocorre é se sua calcinha combina com seu sutiã...
O seu pensamento de dissipa quando ele apenas a pergunta onde fica o planetário. Já era noite e um fog invadia a cidade. Ao se distanciar ela apenas pensa como teria sido o sexo com ele, suas mãos ávidas e grosseiras percorrendo sua pele branca, apesar de magro ele tinha um certo porte. Ele some no meio da neblina, como se fizesse parte dela. Mas tudo parece não ter importância, seria mais um sexo, com mais um rosto sem nome.
A noite cai como se caísse junto a ela uma névoa que permeia sua mente, toma conta dela. Seus supostos amigos chegam, o que será que os estúpidos querem novamente? Ao abrir a porta dá de cara com o mesmo homem do parque, flashes vívidos vem à sua mente e a invadem de tal forma , que quase por um segundo ela se sente ... viva.
Feita as devidas apresentações, e sem maiores delongas começam a beber um vinho de quinta e se embriagam ... Lucas (esse era seu nome) , André, Sandra, Paola, Laís e a própria Anelle parecem ser um só, ao som de uma música deliciosamente diabólica eles se entregam á ode dionisíaca e os corpos parecem se tornar uma massa uniforme.
A parte ela chama Lucas e pergunta como a achou? - Segui sua tristeza - disse ele em tom mórbido.
Um arrepio toma conta dela e mais uma vez sente a vida invadindo-a como uma inexplicável força. Nesse momento André começa a dançar e a se roçar nela, Anelle sem graça tenta se desvencilhar, mas para sua surpresa Lucas apenas lhe sussurra em seu ouvido, desta vez com uma voz serena, que é para deixar os acontecimentos seguirem seu curso. Ela sem saber que posição tomar deixa-se levar, neste momento Lucas se une à dupla, beijando-a e tocando-a. Neste momento seu corpo é um turbilhão de emoções, sendo tocado por dois homens concomitante e ela quer mais, e os outros desaparecem á sua volta, será mágica ou o efeito da bebida refletindo em seu corpo. Beija a boca de um, afaga o membro enrijecido do outro e os três se beijam, e suas línguas se cruzam e se tocam, e mãos, mais mãos, outras mãos, tudo ao mesmo tempo, sem espaço para pensar. Por hora acaba como uma chuva de verão, é hora de ir para um club, desses com pouca iluminação mas muita bebida.
Todos se apertam em um único carro e começan novamente as mãos, mas desta vez não é possível saber de quem são ... Chegando lá, uma música ensurdecedora toma conta do ambiente. Vão direto para uma sala de fumo, para surpresa o ópio é a força motriz do ambiente. Sentam-se juntos, exceto Lucas, Anelle e André que vão para a sala especial. Lá eles se deitam em almofadas de cetim e relaxam com um incenso de lavanda.
Uma menina de traços orientais e com um dragão tatuado que vai de seu peito até o braço pergunta aos três: - Vocês estão no clima para fazer o que? - Como? - Perguntou Anelle - Esqueçam... gostariam de beber algo? De repente Lucas fala em uma língua, com certeza oriental e dispensa a mocinha. Sem entender nada, mas adorando tudo, André e Anelle trocam idéias absurdas típicas de pessoas alteradas pela bebida. Uns minutos depois, a mocinha que há pouco tinha saído volta com um objeto desconhecido. O que será aquilo que ela trazia consigo- se indagava Anelle nesta altura já imaginando o que iria acontecer. O clima da sala é sombrio, não se pode nem mesmo ver quem está ao seu lado, apenas vultos disformes. Lucas começa a fumar, Anelle que apesar dos pesares não estava acostumada a usar drogas, quer dizer, pelo menos não pesadas, fica excitada... Lucas que parecia estar á vontade em meio àquilo tudo, tira sua camisa e fica com o peito nu, embora não faça calor não faz muito sentido a sua atitude. Fumando ópio, ele começa a declamar Beaudelaire, Anelle e André nada entendem, frutos de uma geração em que a cultura pop prevalece, eles desconhecem o autor. Em um gesto com a mão Lucas chama a mocinha oriental, Liu, e ela se deita com a maior naturalidade ao lado dele, parece que se conhecem há um tempo, mas existe um misto de medo e sedução. Eles estão a fumar, Anelle e André meio que receosos, se entregam a luxúria do ambiente e mais uma vez a sexo paira no ar ... Anelle estava de vestido, botas e meias francesas, realçavam sua tez branca e lânguida. Era a primeira vez que André a olhava nos olhos e admirava seu corpo; ela tinha os cabelos curtos e avermelhados, tipo chanel, seus olhos castanhos esverdeados delineavam sua boca em forma de coração de um sangue vívido.
O prazer e a felicidade andavam juntas? Pensava ela. Nesta hora ela era feliz, mas talvez seria uma falsa felicidade. Mas o prazer sim, ele estava sempre presente sempre em sua vida... Ao colocar a mão no meio de suas pernas podia-se ouvir um gemido bem baixo, ao seu lado Liu era praticamente asfixiada pelo inebriante Lucas, nada ela podia ver, mas parecia que eles estavam se divertindo muito e isso a incomodou, afinal de contas ela estava na mesma situação e nem deveria estar se preocupando com eles. Neste momento ela se afastou de André.,. foi ao banheiro, deixando-o pasmado e sem ação. Se olhou no espelho e se perguntou mais um vez o porquê das coisas... logo Lucas, um rapaz que ela nem sabia quem era direito. Ao seu lado duas meninas conversam sobre possíveis homens que elas encontrariam naquela noite, elas não estavam na sala que Anelle estava, mas isso não era importante. Aquilo era um sentimento completamente novo para ela, ao voltar para a sala e decidida a falar algumas verdades para Lucas, se surpreende ao não vê-lo lá, nem ele nem Liu. Sumiram... uma dor na barriga neste momento, sentiu-se traída. O que ela esperava de um cara que ela nem conhecia direito.
Quis ir embora, André parecia muito empolgado, mas ela não deu atenção. - Onde eles estão? - Por um minuto estavam aqui, mas ao olhar de novo não mais - disse André ainda interessado em continuar o que estavam fazendo. Pobre André, nem sabe que Anelle se desinteressou por ele, agora mesmo tentava com todo custo chamar sua atenção, mas sem sucesso. - Foi-se com a neblina novamente, pensava Anelle. Não conseguia mais raciocinar, voltou a si e desapareceu também sem deixar pistas, deixando o pobre André á deriva. Na volta para casa, que percorreu o caminho andando, se indagava mais uma vez porque nada em sua vida dava certo... seria ela ou os outros. O inferno sempre são os outros, pensava ela enquanto passavam bêbados e prostitutas perambulando pelas ruas.
De repente parou de pensar nele, tornou o ato de andar mecânico e chegou em casa mais rápido do que pensava.
Sua casa estava uma bagunça, mas realmente não se importou com isso, deitou-se e olhando para o teto começou a pensar em Lucas novamente, que nome mais bíblico ele tem. Sentiu uma presença em seu quarto, era ele... mas como? Ela morava no quinto andar e ele estava na janela, que estranho para não dizer pavoroso, ele adentrou em seu quarto de modo furtivo e mais que depressa rasgou seu vestido, deixando apenas a mostra suas meias e calcinha, aquilo a deixou estarrecida, perturbada, excitada e feliz. Não sabia como ele entrou, mas só pelo fato dele estar presente ela se contentava em não saber das respostas. Ele ficou por cima dela , tirou sua calcinha e assim quando estava preparando para penetrá-la, ela viu que aquilo não passava de um sonho, acordou suada e úmida. Entre suas pernas corria a seiva que denotava prazer... mais uma noite sozinha. Virou e dormiu de vez.
Acordou com uma dor de cabeça que parecia não ter fim, preparou um chá para pelo menos amainá-la. Ao olhar pela janela podia ver o parque em que o conhecera e sua vista foi longe assim como seus pensamentos. Resolveu ligar para Paola, e perguntá-la onde eles tinham conhecido Lucas.
- Alô, respondeu Paola com voz sonolenta. - Queria te perguntar uma coisa...
- Você me parece intrigada ...
- De onde vocês conhecem Lucas?
- De quem você está falando?
- Do rapaz de preto que acompanhava vocês ontem.
- Disse que conhecia você e subiu conosco.
- Mesmo? Beijo e ciao.
Faltou chão para ela, um estranho em minha casa e se passando por meu amigo, quem ele era e de onde vinha? A agonia tomava conta dela, e mais essa agora. Começava a chover, Anelle adorava esse tempo chuvoso em que o sol não aparecia, ao mesmo tempo em que também adorava situações complicadas e estava em meio de uma, que ao seu ver parecia uma imensa tempestade se aproximando. A tarde passou arrastada, mas a chuva não parava mais... a cidade nunca pareceu tão cinza mas tão bela como estava. A noite caiu como uma luva, e o interfone tocou, quem seria uma horas dessas:
- Dona Anelle, tem um rapaz chamado Lucas que quer falar com a senhora.
- Pode deixar ele subir.
Foi se arrumar rapidamente, não estava nem um pouco apresentável, descalça e com um vestido, desses meio diáfanos, os quais na luz dá para ver o contorno do corpo. Passou a mão no cabelo sedoso ainda de ontem e se olhou no espelho rapidamente antes de abrir a porta para ele. Momentos de ansiedade. Olha pelo olho mágico e tenta vê-lo, mas tem algo vermelho impossibilitando-a, ele abre a porta e uma rosa vermelha está na mão dele. Ele parado na porta, sempre de preto, e com a rosa vermelha, que era da cor de seus lábios. Ele aguarda e espera que ela o convide para entrar. Além de tudo quer me conquistar, pensou enquanto ele entrava. Que estranho, ele só aparece a noite e usa do manto da mesma para se vestir. Deve ser mesmo ao menos ser uma pessoa interessante. Ele parou e sentou-se numa cadeira envelhecida e olhou-a como se nesse momento pudesse despi-la de todos os seus pecados e ela sentiu-se livre como nunca estivera antes. Sentou-se próxima a ele, podia sentir sua respiração, seu calor se é que ele tinha algum. Sua palidez e frieza a atraiam de tal maneira como se fossem objetos antagônicos, pareciam tão iguais, tão distantes. Nada foi dito durante a meia hora em que eles ficaram juntos.
O silêncio falou mais alto, ele apenas puxou pela mão e levou-a para o quarto, ela apenas consentiu com a cabeça. Ela tremia, mas em seus braços se acalentou de tal forma que parecia uma criança precisando de proteção. E ele supriu essa sua necessidade. Nesse momento o homem terno foi embora, pego-a no colo e a pôs na cama, certa de que seria um sexo deveras calmo, ela se enganou mais uma vez com ele, de dentro de seu sobretudo tirou uma algema. Prendeu-a na cama e depois um estilete surgiu e um medo também... ele passou pelo seu vestido que se rasgou com a maior facilidade, e passou aquela lâmina fria pelo seu corpo vivo e cortou sua calcinha também. Nua em pêlo pode ver seu semblante louco e aquilo a excitou mais. Ele mal falava e exprimia emoções, talvez aquilo a tenha encantado, já que todo homem a tratava bem demais. Mais uma surpresa, outra rosa. Aquilo a intrigou, mais intrigante foi quando ele disse que a amava. Dessa vez quem permaneceu muda foi ela, não esperava isso dele, já que só se encontraram umas duas vezes. E fez sexo com ela, pegou-a de jeito e pode ver seu corpo, e só ele enxergou as cicatrizes da batalha que ela outrora travara, só ele a entedia em seu âmago.
Sexo com ele era quente, ele sabia exatamente o que ela queria. Suas mãos eram exatamente como ela havia imaginado. Ela sem poder conter seu desejo entregou-se de corpo e alma. Ele a essa altura tinha se livrado das roupas que o cobria, e a pele em contato com a dela, a fricção, o tesão, o suor. Apesar de ter tido todos os tipos de sexo, com ele era tântrico, talvez transcendental, inexplicável em palavras. Nem ela mesma entendia.
Dormiu um sono de criança, leve e livre de preocupações, ao virar para o lado ela já não estava mais presente e acordou com um gosto amargo na boca, seria fel? Mas qual seria o motivo de que sempre ele desaparecia subitamente.
Era domingo, dia de visitar seus ricos pais, Sr Heitor. e Sra. Veronica Egoyan. Pegou um táxi e olhando pela janela podia ver as pessoas, trabalhando ou mesmo namorando, coisas cotidianas como essa enchiam sua vida, era como elixir e mais uma vez pensou nele, percebeu o vento frio do outono e as folhas amarelas e vermelhas no chão contrapunham com o cinza e a chuva do momento. O taxista falava alguma coisa, mas parecia para ela inaudível... seu pensamento foi longe, acho melhor esquecê-lo, mas não conseguia, era mais forte do que ela.
Finalmente chegou à casa, uma mansão vitoriana fora da cidade. Quando ia colocando a mão na maçaneta da porta, ela se abriu e deu de cara com Lucas. Surpresa e sem palavras, riu por dentro e disse:
- O que fazes por aqui?
Ele apenas pegou seu casaco de tweed, levemente molhado pela fina chuva que caía, e sua mala e nada falou. Ela cada vez mais estarrecida procurava pela sala os seus pais, a procura finalmente cessou, quando percebeu que os mesmo estavam na salinha tomando um brandy. Mal podia conter sua alegria, mas precisava disfarçá-la afinal de conta seus pais centenários estavam presentes, quase riu em voz alta. Ficou horas impaciente olhando o relógio, parecia que não passavam, com sua mãe conversou amenidades, depois começou a ter uma conversa igualmente formal com seu pai, mas nunca com ele, na verdade o ignorou e mais uma vez ele tinha aparecido do nada.
Finalmente seus pais se retiraram, mas parecia que também ele ia, e ela se atordoou, esperou tanto por aquele momento, para poder falar com ele, para poder tocá-lo, e apenas ele se foi...
A cama parecia uma prisão, braços a prendiam e seus pensamentos vagavam, adoraria estar ao seu lado. Olha pela janela e percebe que chove mais uma vez, as chuvas e a escuridão são o seu manto, mórbido, pensa ela. Através da janela pode-se ver o jardim e sem maiores explicações uma força parece atraí-la para lá.
Caminha descalça pelos corredores vazios e frios da casa, um vento gelado vai ao encontro do seu corpo e arrepia-se neste momento, parecia que a porta estava aberta, medo, seu coração dispara e sua boca fica seca Mas continua caminhando e ao chegar lá, dá de cara com ele impávido e sentado e com seu membro enrijecido, trajava somente a calça-pijama... o primeiro contato com a chuva deixa sua camisola completamente molhada e transparente, molda seu corpo deixando a silhueta a mostra. Mais uma vez palavras não são pronunciadas e o ato sexual é selvagem como o de animais no cio, senta-a no banco e separando suas coxas a invade com toda sua pretensão e amor, um amor estranho que devora sua alma e consome suas forças... quase perde os sentidos deixa-se levar pela loucura do momento e o semblante de seu amado é sereno. Em sua cabeça passam diversos pensamentos e se sente como uma libertina de satã, entregue ao vício do sexo e depois disso chega ao sublime orgasmo.
Amanheceu, acorda toda doída e passa-lhe por sua cabeça onde estará;- Que estranho, pensa, olha á sua volta reconhecendo o lugar como sendo seu quarto, suada e sem uma noção de tempo, sua mãe lhe fala que acabara de ter um febre daqueles, provavelmente proveniente da chuva que tomara naquela noite ... Mas para sua surpresa a Sra.Veronica comenta que há mais de um mês que ela não aparecia em casa e estava naquele estado há uma semana. Esses malditos devaneios febris pareciam verdadeiros. Estranho, tudo que provêm dele é assim, estava prostrada na cama, teria ele a drogado e se aproveitado dela? Até que ela gostaria...
-Fica boa logo, mas não queria sarar, preferia adoecer e morrer de vez e só então acabaria com esse eterno tédio que está incrustado em sua alma. Uma antiga colega da faculdade liga, mas Anelle deixa a secretária atender, está aborrecida demais para aturar os outros. Um arrepio percorre seu corpo fazendo seus mamilos endurecerem, a ela leva sua mão até eles e começa a sonhar e imaginar que aquela mão pertencia a Lucas, fica molhada mas volta logo á realidade e finalmente ouve o recado que diz que sua amiga está a espera na rodoviária. Corre e se arruma rapidamente, com seu visual propositadamente desleixado e vai-se num ônibus em busca da amiga.
Anoitece de forma assustadora. Ela continuava com aquele mesmo semblante de anos atrás, na verdade o tempo só lhe fez bem. Abraçaram-se e Anelle se sentiu segura, era um tipo de segurança que não conseguia ter com Lucas, mas estavam sob diferentes perspectivas. Com ele tudo aparentava uma sordidez, mas era do tipo que a atraia. Voltou a prestar atenção no que a amiga dizia, e de fato não era importante. E foram embora em direção à casa de Anelle.
Ao chegar em sua casa percebeu que a porta estava aberta, um frio lhe percorreu a espinha quando viu a mão de alguém na poltrona da sala. Parecia uma presa paralisada, mas tomou coragem e caminhou até a mesma, a medida que ia chegando só podia perceber a penumbra que pairava na sala, o silêncio era mórbido e a atmosfera ao redor parecia morta. Só faltava menos de um passo para poder ver quem estava sentado na cadeira, mas ainda assim seus olhos pareciam nebulosos. Tocou a mão e ela estava muito fria, e então percebeu que a mão pertencia a Lucas e que trazia uma rosa negra.
Estava assustada, mas ele a segurou de forma que jamais tivera feito, entregou a rosa e mais uma vez o perdeu para as sombras. Enquanto isso Lúcia, que ficara estática na porta, nada entendia foi ao encontro de sua amiga. Anelle chorava e soluçava sem parar, e caiu no chão e se entregou ao choro da mesma forma que havia se entregado a Lucas, ao seu lado; a rosa e um bilhete:
Cara Anelle, Esta flor simboliza o que sinto por você, sinto muito, mas, tenho que partir.
Com amor,
Lucas.
E Anelle morreu de vez, por dentro, muito pior do que se tivesse morta de verdade. E pode perceber o quão ínfima era a sua patética e mísera vida.
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